Panorama da Produção Leiteira no Sudoeste da Bahia: Desafios, Potencialidades e Importância Socioeconômica
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Ana Lúzia de Souza Araújo¹,
Júlia Abrahão Alves², Rolando Pasquini Neto², Rinaldo Rodrigues²,
Augusto Hauber Gameiro³.
¹Membro do CON$TARE – LAE/FMVZ/USP;
²Coordenador do CON$TARE – LAE/FMVZ/USP;
³Coordenador do CON$TARE – LAE/FMVZ/USP e Professor do Departamento de Nutrição e Produção Animal na FMVZ/ USP, Pirassununga, SP.
E-mail para contato: annybio2009@gmail.com
O setor da produção de leite é uma atividade fundamental para gerar economia e a segurança alimentar no Brasil. No sudoeste da Bahia, os produtores lidam com desafios relacionados ao clima e à economia. Mas também procuram oportunidades para uma gestão eficiente com a incorporação de tecnologias.
1. Introdução
A produção de leite é essencial para a segurança alimentar da população mundial, pois oferece diversos benefícios, podendo incluir sua riqueza nutricional (como proteínas, cálcio, vitaminas e minerais), além de ser responsável por potencializar o setor da economia (Embrapa, 2021). A bovinocultura leiteira é uma das atividades agropecuárias de grande relevância no Brasil, ocupando a 3ª posição no ranking global (com 34 bilhões de litros por ano), sendo responsável por gerar emprego, renda e alimento para a população, além de contribuir para a segurança alimentar (MAPA).
A região sudoeste do estado da Bahia possui tradição agropecuária, porém, nos últimos anos tem enfrentado muitos desafios (Abreu et al., 2017). O semiárido da região, no entorno do município de Guanambi, BA, apresenta baixo índice pluviométrico em comparação com outras regiões do Brasil (INMET). O clima é caracterizado por uma estação seca prolongada com períodos chuvosos irregulares, cuja distribuição inadequada pode dificultar a produção agrícola (INSA, 2021). Além disso, trata-se de uma região composta por pequenas propriedades, que vem adotando alternativas intensificadas para contornar essa limitação (Patês et al., 2012). Os produtores têm realizado investimentos com tecnologias de manejo (como o semiconfinamento) e de irrigação (com a utilização de poços tubulares e painéis solares), voltados para a produção de forragem (como sorgo e milho) e visando gerar renda para as famílias.
As oscilações do preço do litro de leite pago ao produtor, dos custos envolvidos com a compra de insumos e os períodos de estiagem típicos do clima semiárido têm impactado, especialmente, os pequenos produtores, que em sua maioria integram a agricultura familiar e dependem diretamente dessa atividade para a obtenção de renda e sustento da família (CEPEA, 2024). Frente essa realidade, destaca-se a importância da gestão na atividade leiteira e de estratégias produtivas com adaptação as condições climáticas do semiárido.
O objetivo deste artigo é valorizar a produção leiteira na região sudoeste da Bahia, identificando a importância socioeconômica da atividade e destacando os desafios e as potencialidades enfrentadas pelos produtores locais, principalmente, com vistas ao fortalecimento da permanência da bovinocultura leiteira no semiárido.
2. A gestão
2.1 A gestão de custos na pecuária leiteira
A gestão de forma eficiente da produção leiteira contribui para auxiliar os produtores rurais na tomada de decisões e no planejamento das propriedades, em especial em regiões semiáridas, em que os desafios climáticos e produtivos são mais intensos. O conhecimento dos custos de produção, do manejo alimentar e das tecnologias utilizadas na propriedade contribui para maior organização da atividade e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis (Santos et al., 2009).
Além disso, o gerenciamento da produção leiteira exige planejamento contínuo, considerando fatores como alimentação do rebanho, disponibilidade hídrica, produtiva e utilização de tecnologias adaptadas as condições locais. De acordo Almeida et al., (2015) a utilização de práticas de gestão rural contribui para melhorar a eficiência produtiva das fazendas leiteiras e fortalecimento da atividade.
No semiárido baiano, muitos produtores já vêm buscando alternativas para a redução dos impactos impostos pelas estiagens prolongadas, investindo em estratégias como produção de forragem, sistemas de semiconfinamento, irrigação e utilização de energia solar. Estas práticas demostram a necessidade de adaptação da produção e do planejamento da atividade leiteira frente às limitações ambientais da região.
Além da gestão da propriedade, o resultado positivo depende tanto da gestão econômica eficiente quanto da qualidade dos animais e do manejo alimentar, os produtores também precisam de formação técnica e apoio especializado. Portanto, as ações institucionais que promovem assistência técnica gratuita aos produtores rurais, incluindo cursos voltados à produção de forma mais sustentável e eficiente, além das políticas públicas que valorizam os produtores são essenciais, oferecendo assistência técnica e treinamento, com estímulo às tecnologias para aumentar a produtividade dos rebanhos e garantir melhores condições de permanência do agricultor no campo (Abreu et al, 2017).
O apoio técnico aos pequenos produtores torna-se importante para orientar práticas de manejo, alimentação do animal, utilização racional de água e planejamento da produção, favorece a permanência das famílias no campo.
Torna-se importante mostrar ao produtor de leite da região do sudoeste da Bahia como ele pode aumentar o potencial de sua produção, tornando a atividade economicamente viável por meio da utilização de um modelo de gestão adaptado as condições locais e que permita identificar pontos de produção que maximizem sua rentabilidade e sustentabilidade na atividade. Ao considerar a adoção deste modelo, também é possível avaliar melhor a eficiência e sustentabilidade no setor. Além disso, nota-se a necessidade de maiores investimentos em infraestrutura, permitindo melhorar o desenvolvimento destes modelos produtivos, sendo capazes de atender às demandas locais e promover o fortalecimento da permanência dos pequenos produtores na atividade leiteira (Resende, 2010).
2.2. Assistência técnica e políticas públicas
A produção leiteira possui relevância econômica e social para o sudoeste da Bahia, em especial por estar relacionada à agricultura familiar e à geração de renda no meio rural. Além de contribuir para abastecimento alimentar, a atividade favorece a permanência das famílias no campo e fortalecimento das comunidades rurais.
A valorização da produção de leite também deve ser vista sob uma perspectiva econômica, como também social. Já que essa atividade é fundamental para a permanência das pessoas no campo e para o fortalecimento das comunidades rurais. De acordo com dados do IBGE, no segundo trimestre de 2025, a Bahia registrou uma produção de leite de 154.125 mil litros e de acordo com o levantamento do CEPEA, em agosto de 2025, o litro de leite pago na Bahia estava entorno de R$ 2,49, enquanto a média do país encontrou-se em cerca de R$ 2,53. Desvalorização que ocorre, principalmente, pela dificuldade da produção atingir a demanda em absorver toda a oferta.
3. Considerações finais
Observa-se que a cadeia produtiva do leite no sudoeste da Bahia enfrenta diferentes desafios, limitações estruturais das pequenas propriedades rurais.
Nesse contexto, destaca-se da importância a adoção de práticas diárias de gestão eficiente e planejamento, associadas a utilização de tecnologias adaptadas às condições do semiárido. Estratégias relacionadas à produção de forragem, ao manejo alimentar, à organização produtiva e acompanhamento dos custos da atividade podem contribuir para maior estabilidade da produção.
Além disso, é fundamental ampliar o acesso aos produtores à assistência técnica, à capacitação profissional e às políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cadeia regional. O incentivo ao cooperativismo, aos investimentos em infraestrutura e à difusão de tecnologias apropriadas pode favorecer melhores condições de produção e aumentar a competitividade da atividade.
Portanto, a valorização da bovinocultura leiteira depende da integração de gestão eficiente, apoio institucional e estratégias de convivência com o semiárido, visando fortalecer a atividade e promover o desenvolvimento sustentável da região.
Para melhorar os resultados, é necessário buscar mecanismo que incentivem a expansão da produção, aumentando o volume, visto que a margem dessa atividade é pequena. Também é fundamental fortalecer a organização em grupo, para que os produtores não sejam prejudicados por laticínios que atuam de forma irresponsáveis.
Uma perspectiva valiosa é otimizar a produção de forragem, explorando espécies vegetais alternativas que prosperem localmente. Desse modo, é imprescindível direcionar recursos para animais com alta aptidão para a produção de leite, certificando que todos produtores consigam adquirir conhecimentos necessários para impulsionar a administração de suas propriedades, empregando o controle de fluxo de caixa, pois, dessa forma, torna-se viável registrar minuciosamente cada entrada e saída, possibilitando calcular o lucro em um período específico. Já que ao monitorar os ganhos derivados da venda de leite, animais ou itens da propriedade e subtrair todos os gastos, como ração, manutenção, transporte, sanidade, o produtor consegue uma percepção mais eficaz da lucratividade da atividade.
Assim, este acompanhamento financeiro auxilia a detectar áreas de desperdício e diminuir despesas, direcionando decisões estratégias, como investimentos em ampliação, aprimoramento da forragem e compra de animais mais produtivo.
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4. Referências
ABREU, A. M.; SANTOS, G.; GUIMARÃES, B. V.; SILVA, J.; GUIMARÃES, G. Panorama socioeconômico da pecuária leiteira no município de Pindaí-BA, semiárido baiano. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 14, n. 25, p. 402-417, 2017.
ALMEIDA, M.; BACHA, C. J. C. Literatura sobre eficiência na produção leiteira brasileira. Revista de Política Agrícola, Brasília, v. 30, n. 1, p. 20-39, 2021. Disponível em: https://rpa.sede.embrapa.br/RPA/article/view/1575. Acesso em: 25 fev. 2026.
ALMEIDA, B.; SILVA, E.; SILVA, F.; COSTA, A. M. Impacto da produtividade leiteira e qualidade morfológica das vacas leiteiras na rentabilidade económica das explorações. Revista de Ciências Agrárias, Lisboa, v. 39, n. 2, p. 291-299, 2016.
BUSS, A. E.; DUARTE, V. N. Estudo da viabilidade econômica da produção leiteira numa fazenda no Mato Grosso do Sul. Custos e @gronegócio On Line, Recife, v. 6, n. 2, p. 110-130, 2010.
CEPEA – CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA. Indicador do leite. Piracicaba: CEPEA/ESALQ/USP. Disponível em: https://www.cepea.org.br/br/indicador/leite.aspx. Acesso em: 25 fev. 2026.
EMBRAPA. Valor nutritivo do leite. Brasília, DF: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/criacoes/gado_de_leite/pos-producao/consumo/valor-nutritivo. Acesso em: 25 fev. 2026.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa trimestral do leite. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/9209-pesquisa-trimestral-do-leite.html. Acesso em: 25 fev. 2026.
INMET – INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP). Brasília, DF: INMET. Disponível em: https://bdmep.inmet.gov.br/. Acesso em: 25 fev. 2026.
INSA – INSTITUTO NACIONAL DO SEMIÁRIDO. Semiárido brasileiro. Campina Grande: INSA. Disponível em: https://www.gov.br/insa/pt-br. Acesso em: 25 fev. 2026.
MAPA – MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA. Mapa do leite. Brasília, DF: MAPA. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/producao-animal/mapa-do-leite. Acesso em: 25 fev. 2026.
PATÊS, N. M. S. et al. Aspectos produtivos e sanitários do rebanho leiteiro nas propriedades do sudoeste da Bahia. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, Salvador, v. 13, n. 3, p. 825-837, 2012.
RESENDE, J. C. Determinantes de lucratividade em fazendas leiteiras de Minas Gerais. 2010. 144 f. Tese (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2010.
RODRIGUES, R. Viabilidade econômica de um sistema de produção pecuária de bovinos sob alta lotação: uso na pesquisa e na pecuária comercial. 2010. 176 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, Pirassununga, 2010.






Muito bom! Super interessante saber um pouco mais sobre a produção leiteira nessa região do Brasil.